Os números fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Na leitura da Entidade, eles reforçam como o crédito adicional que tem chegado aos lares está sendo administrado dentro de limites dos orçamentos domésticos. Para se ter uma ideia, em julho de 2025, a taxa de inadimplência era de 22,1%, o que sinaliza uma retração de 1,9 ponto percentual (p.p.) com o cenário atual.

O tempo médio de atraso para pagar dívidas vencidas, por exemplo, caiu ainda mais em julho: de 66,1 dias no mês anterior para 64,3 agora. Tão importante é o fato, dentro desse número, a faixa de contas atrasadas acima de 90 dias (50,4%) ser menor do que em junho (53%). São dados que mostram como alguns lares conseguiram regularizar compromissos mais antigos – que, por isso mesmo, têm juros mais altos.
Já a parcela da renda comprometida para pagamento de dívidas não mudou no período (tímido avanço de 26% para 26,2%). No cenário de endividamento alto atual, esse indicador é bastante relevante, porque mostra que as famílias ainda conseguem manter o controle dos gastos na composição de sua renda.

Mais pobres, mais endividados, mais inadimplentes
Outro fator de preocupação da PEIC é como o fenômeno da inadimplência está desigualmente dividido entre as classes. Os dados mostram diferenças grandes entre as famílias mais ricas (cuja renda supera 10 salários mínimos, ou cerca de R$ 16 mil) daquelas que têm rendimentos abaixo desse patamar.
Oito em cada dez lares com renda inferior a 10 salários (78,1%) tinham ao menos uma dívida em julho. Já nas famílias do estrato mais rico, a taxa cai para 65,4%.
Já no caso da inadimplência, a diferença é de significativos 15,6 pontos: só 9% das casas mais abastadas tinham contas vencidas, mas, entre as de rendas mais baixas, o número vai a 24,6%.
Esses dados são relevantes porque mostra que as famílias mais pobres seguem mais expostas à pressão da inflação e dos juros e, não à toa, têm mais desafios para conseguir pagar as contas – como se vê no fato de que uma em cada dez (10,5%) delas não terem condições de quitá-las.
De forma geral, o que a PEIC mostra que os lares de São Paulo usam o crédito como uma espécie de amortecedor para manter o consumo do mês e conter os efeitos da alta dos preços. A inadimplência segue estável, mesmo em um cenário de elevação do endividamento, porque o mercado de trabalho segue aquecido.