A Entidade acredita que essa recuperação esteja relacionada à proximidade do último trimestre do ano, melhor período de vendas para o setor. Isso porque, embora tenha avançado pelo segundo mês consecutivo — atingindo 109,1 pontos em setembro [gráfico 1] —, o ICEC está 1% abaixo do patamar registrado no mesmo período do ano passado, quando marcava 110,2 pontos. Portanto, apesar de estar acima dos 100 pontos, indicando um sentimento de otimismo entre os empresários do varejo paulistano, uma análise mais ampla mostra um clima de preocupação quanto à conjuntura econômica atual. Vale lembrar que o índice varia de 0 a 200 pontos, apontando, respectivamente, insatisfação e satisfação total desse público em relação ao seu segmento, à sua empresa e à economia do País.
O Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC), variável que compõe o ICEC, caiu 1,7% em comparação a agosto, atingindo 82 pontos. Na comparação anual, o recuo foi de 5,6%. Segundo a FecomercioSP, esse resultado está relacionado ao cenário de endividamento empresarial, aumento dos custos operacionais, valorização do dólar e taxas de juros em patamares elevados. Ainda que seja um bom momento para as vendas no Comércio, esses fatores pressionam as margens de lucro dos negócios.
Por outro lado, a disposição dos comerciantes para fazer novos investimentos e contratações atingiu o maior patamar desde dezembro de 2022. O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC), outro indicador que faz parte do ICEC, subiu 1,4%, atingindo 104,9 pontos, impulsionado pelas contratações. Na comparação anual, o IIEC exibiu elevação de 3,1%. O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC), também componente do ICEC, por sua vez, registrou alta de 1,3%, passando para 140,4 pontos em setembro — mas na comparação anual, houve recuo de 1,1%.
O subíndice Expectativas para Contratação de Funcionários (ECF) atingiu 122,6 pontos, alta de 2,6% em comparação ao mês anterior, a maior pontuação desde novembro de 2022. O subíndice Nível de Investimento das Empresas (NIE), que mede a propensão dos empresários a investir em equipamentos, reforma e abertura de lojas, também subiu pelo segundo mês consecutivo — alta de 1,7%, chegando aos 97,3 pontos —, mas ainda se mantém no patamar de pessimismo, ou seja, abaixo dos 100 pontos.
Assim, a Entidade avalia que a retomada da confiança do empresário do Comércio está atrelada à chegada da melhor época para o setor. Os ganhos de renda, a inflação moderada e o mercado de trabalho aquecido geram expectativas positivas para as vendas de fim de ano, inclusive pela maior injeção de recursos do décimo terceiro salário. Entretanto, considerando o nível de endividamento desses negócios, o aumento dos custos operacionais desde a pandemia e as elevadas taxas de juros, a FecomercioSP recomenda uma certa dose de cautela na formação dos estoques, nas contratações e na elaboração de estratégias para o período.