

Momento atual melhora, mas perspectivas econômicas ainda preocupam
Apesar do leve avanço do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em outubro, o indicador permanece abaixo do nível registrado no mesmo período do ano passado, com queda de 6,1% — a 15ª retração interanual consecutiva. O resultado reflete a percepção de que a recuperação econômica segue frágil e desigual entre as diferentes faixas de renda.
Os componentes do ICC mostram avanço na avaliação dos lares sobre o momento atual: o Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) apresentou alta de 3,5%, chegando a 109,5 pontos, enquanto o Índice de Expectativas do Consumidor (IEC) cresceu 2,9%, indicando um otimismo moderado em relação aos próximos meses. Ainda assim, na comparação anual, os dois indicadores registram retrações de 3,5% e 7,6%, respectivamente, evidenciando um quadro de cautela e endividamento elevado [gráfico 3].

Indicadores permanecem na zona de pessimismo
Os resultados do Índice de Confiança do Consumidor (ICF) apontam que o consumidor ainda evita assumir compromissos de longo prazo, especialmente na compra de bens duráveis. A inflação persistente e a conjuntura internacional adversa continuam limitando o ímpeto de consumo e o acesso ao crédito.
Três dos sete componentes do índice permanecem na zona de pessimismo: Momento para Duráveis (70,6), Nível de Consumo Atual (83,9 pontos) e Perspectiva de Consumo (98,2 pontos). Na comparação anual, Momento para Duráveis (-9,1%) e Renda Atual (-3,2%) sofreram quedas, o que indica melhoria pontual na percepção das famílias, mas ainda sem condições sólidas de retomada do consumo [tabela 1].

De acordo com a FecomercioSP, a manutenção da taxa Selic segue encarecendo o crédito e limitando o consumo de bens duráveis, o que mantém a percepção de dúvida entre os consumidores. Assim, a sustentabilidade do consumo em 2026 dependerá da capacidade do País de retomar o crescimento econômico de forma equilibrada e consistente.
Estratégias para as empresas no fim do ano
O comportamento do consumidor tende a ser mais racional, com foco em produtos essenciais e condições de pagamento facilitadas. Assim, empresas que ampliarem a eficiência logística, oferecerem crédito responsável e investirem em programas de fidelização terão vantagem competitiva. Além disso, promoções personalizadas e incremento na experiência de compra digital devem ganhar destaque no período.
Os resultados dos índices nos últimos meses reforçam que a economia ainda não apresenta bases fortes para uma retomada consistente do consumo. Por isso, o empresariado deve manter atenção às políticas monetária e fiscal. No curto prazo, é estratégico aproveitar o impulso sazonal, enquanto no longo prazo, é essencial posicionar a marca com confiança e estabilidade diante de um cliente mais seletivo e racional.
Nota metodológica
ICC
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde 1994. Os dados são coletados com aproximadamente 2,1 mil consumidores no município de São Paulo. O objetivo é identificar o sentimento dos consumidores levando em conta suas condições econômicas atuais e suas expectativas quanto à situação econômica futura. Esses dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, se apresenta como: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados da pesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.
ICF
O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) é apurado mensalmente pela FecomercioSP, desde janeiro de 2010, com dados de 2,2 mil consumidores no município de São Paulo. O ICF é composto por sete itens: Emprego Atual; Perspectiva Profissional; Renda Atual; Acesso ao Crédito; Nível de Consumo; Perspectiva de Consumo; e Momento para Duráveis. O índice vai de zero a 200 pontos, sendo que abaixo de cem pontos é considerado insatisfatório, e acima de cem pontos, satisfatório. O objetivo da pesquisa é ser um indicador antecedente de vendas do comércio, tornando possível — a partir do ponto de vista dos consumidores e não por uso de modelos econométricos — que seja uma ferramenta poderosa para o varejo, para os fabricantes, para as consultorias, assim como para as instituições financeiras.