A redação original da PEC da Reforma Tributária previa apenas alíquota única a bens e serviços, indistintamente. A proposta aprovada na Câmara no início de julho, além da alíquota padrão, incluiu alíquotas reduzidas de 60% e alíquotas zero para algumas atividades.
O texto permite a adoção de alíquotas diferenciadas do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) — de competência dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios — e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência da União, que poderão ser reduzidas em 60% para as seguintes atividades:
Lei complementar também definirá a redução em 100% sobre produtos hortícolas, frutas e ovos, além de operações realizadas pelo produtor integrado (produtor agrossilvipastoril).
Quanto à CBS (de competência da União), lei complementar definirá redução de 100% da alíquota sobre serviços de educação de ensino superior do Programa Universidade para Todos (Prouni) e dos serviços beneficiados pelo Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), este até fevereiro de 2027.
Há também previsão de regime específico de tributação para as seguintes atividades:
Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), um fator preocupante é que o texto ainda não contempla, em sua integralidade, o setor que mais emprega no País, os serviços, com a devida amplitude, que teriam pouco crédito pela natureza de suas atividades econômicas, já que a sua maior despesa é a folha de salários — que não dá direito o creditamento.
Na atualidade, as empresas de porte médio do setor de serviços estão no regime do lucro presumido, cuja alíquota total dos tributos sobre consumo é de 8,65% (5% de ISS e 3,65% de PIS/Cofins, cumulativos), e, considerando a projeção inicial da alíquota do IVA de 25%, mesmo que se mantenha esse porcentual no IVA dual (análise do IPEA já sinaliza a possibilidade de uma alíquota de 28%), como esses negócios não têm muitos insumos para crédito, praticamente teriam que arcar com a nova alíquota.
O empresário permanece em um voo às cegas, sem saber como será a lei complementar que definirá a regra de incidência dos novos tributos, em especial a base de cálculo e a alíquota. Contas simples apontam que fatalmente setores importantes da economia terão aumento da carga tributária.
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